Piá

Meu nome é Renan Monteiro, tenho 22 anos e vou compartilhar minha experiência contra um câncer, mas antes vou contar um pouco da minha história.

Filho de pais paulistas e irmão de um casal mais velho, nasci em 1991 em Mauá, cidade vizinha de São Paulo capital.

Em 1994, durante uma crise financeira, minha família se mudou para Ubiratã, uma cidade pacata no centro-oeste do Paraná. Cresci num ambiente rural, brincava sobre a terra vermelha paranaense, tomava leite direto de vaca trazido por uma fazendeira em uma caminhonete todas as manhãs, andava de bicicleta nas ruas largas e planas da cidade e sempre visitava sítios e fazendas.

Em 1996, nas férias do prézinho eu já sabia ler, e desconfio que tenha sido o melhor aluno da história da escola, como vocês podem ver aqui, haha. Tinha uma namoradinha de cabelo chanel que beijava no rosto todo dia atrás da escola. Ainda chamava-se “recreio” o intervalo de descanso entre as aulas, e eu sempre ia na biblioteca ler livros da Bruxa Onilda (sucesso entre a molecadinha) e ficar namorando os computadores com windows 95 que só os alunos do ensino médio podiam usar.

Em 97, com a febre Latino, lembro que cantava suas músicas em frente o ventilador e roubava o lápis de maquiagem da minha mãe pra fazer um bigode parecido com o dele (shame on!). Há gravações que me mostram com 7 anos cantando e dançando “Florentina de Jesus” do começo ao fim.

Voltamos para Mauá em 1999, quanto eu tinha 8 anos. Em São Paulo, experimentei a inédita vida urbana, as brincadeiras na rua, conheci os “maloqueiros” (coisa que só existia em São Paulo), e a péssima qualidade do ensino fundamental. Os meninos daqui soltavam pipa, brincavam com fubecas,  jogavam bola nas ruas esburacadas da vila e rodavam pião, cada brincadeira em sua época do ano; pipas nas férias escolares, fubecas antes das férias de julho e pião antes das férias de fim de ano.

Logo no primeiro ano em São Paulo, sofri um acidente de bicicleta. Estava andando sem freio na rua de casa, perdi o controle, desci uma ladeira enorme, atravessei a avenida movimentada sem ser atingido por nenhum carro e dei de cara com um muro. Prometi nunca mais andar de bicicleta. 3 meses depois voltei a andar de bicicleta.

Um dia, em abril de 2003, após brincar na rua, voltei pra casa sentindo dores na virilha.

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